No último dia 14, o Projeto Baleia Franca comemorou 27 anos de história.
Os principais objetivos do Projeto ao longo destes anos foram focados na investigação científica e conscientização da população visando à conservação das baleias francas e do ambiente costeiro como um todo.
Estes animais foram caçados de forma indiscriminada durante quase quatro séculos de história de colonização da costa brasileira, o que levou a espécie à beira da extinção.
A extração da espessa camada de gordura encontrada nos indivíduos adultos servia de matéria-prima na produção de óleo que, por sua vez, era utilizado na iluminação pública em tempos de inexistência de energia elétrica e ainda como ligante para argamassa em construções da época.
Suas barbatanas ou cerdas bucais (estrutura para captura de alimento) eram exportadas para a Europa, objetivando a confecção de adornos femininos, como por exemplo, espartilhos e pentes.
O último registro de caça no litoral do Brasil data de 1973, na estação baleeira da Praia do Porto em Imbituba/SC, onde hoje fica situado o Museu da Baleia.
Após esta data e durante quase uma década não houve registro de avistagens de baleias francas no litoral do Brasil.
Com informações obtidas junto a pescadores da região, que disseram ter avistado um grande animal preto com calosidades na cabeça, a principal característica da espécie, um grupo de pesquisadores se mobilizou em busca da confirmação de que as francas estariam retornando à costa brasileira.
O marco inicial da criação do Projeto Baleia Franca foi uma avistagem de uma fêmea com seu filhote na Praia de Ubatuba, em São Francisco do Sul, Nordeste do estado de Santa Catarina, em 14 de agosto de 1982. A partir da comprovação do retorno destes cetáceos os trabalhos foram iniciados objetivando o monitoramento da reocupação do litoral sul do Brasil como área de reprodução das baleias francas.
Atualmente, a população de baleias francas que frequenta todo o hemisfério sul é de aproximadamente 8.000 indivíduos, o que representa menos de 10% do número estimado de baleias no período que antecede à caça. Estes dados fazem com que a espécie ainda seja classificada como em risco de extinção.
Esta recuperação populacional se deve ao fato de diversas entidades conservacionistas atuarem de forma incansável na busca dos melhores caminhos para a preservação da espécie, auxiliando diretamente na criação de políticas públicas que visem ao ordenamento e gerenciamento de ações de defesa e conservação dos recursos naturais.
O Projeto Baleia Franca pode ser citado como um dos destaques brasileiros nesta linha de atuação. Os maiores esforços na pesquisa científica e em educação desenvolvidos pelo Projeto Baleia Franca estão pontualmente direcionados aos municípios costeiros do estado de Santa Catarina, em especial na região centro-sul.
A atuação também se estende a diversos outros estados brasileiros.
No município de Torres, extremo norte do litoral gaúcho, uma parceria com o Curso de Biologia da Universidade Luterana do Brasil no ano de 2006 viabilizou a ampliação e intensificação dos trabalhos naquela região.
Desde então, estes trabalhos vem sendo realizados e gerenciados pelo biólogo Rodrigo De Rose da Silva que, na ocasião, era estudante na instituição.
Juntamente com as equipes de voluntários formadas anualmente, o biólogo desenvolveu os monitoramentos terrestres ao longo das praias do município para verificação da ocorrência de baleias francas na região e para estudos comportamentais da espécie.
Paralelamente foram desenvolvidas inúmeras atividades de divulgação das ações do Projeto Baleia Franca e de Educação Ambiental em escolas, universidades e eventos do calendário municipal, onde se destacam a Feira do Livro e o Observatório de Baleias no Morro do Farol.
Atualmente, Rodrigo De Rose da Silva integra a equipe de biólogos do Projeto Baleia Franca em Santa Catarina que, em conjunto com as universitárias Keila Zaché, do Espírito Santo, a mineira Tathiana Gosaric de Barros e as gaúchas Graziele Rodrigues e Thalita Batistella, realizam as atividades de monitoramento ao longo das praias do estado e atendem aos visitantes na sede do Projeto, na Praia de Itapirubá Norte, em Imbituba.
A equipe é gerenciada pela bióloga Audrey Amorim Corrêa e pela diretora de pesquisas do Projeto Baleia Franca, Karina Rejane Groch, PhD em biologia animal.